Fazer as pazes com o passado é algo bem difícil, e acho que a maior dificuldade que a gente encontra é a quantidade de pessoas que guarda alguma mágoa de um tempo que passou e nunca mais vai voltar. Como existe gente rancorosa! Já parou pra ouvir as conversas de salão, de banco, de elevador? Tem sempre alguém que não esqueceu, que ainda ama, que quer voltar. Quando isso faz um, até dois anos, no máximo, acho até válido. Mas cinco, dez, vinte anos? Olha, numa boa, isso pra mim já prescreveu.
Cada um com a sua história, vida e circustâncias. 'Quem essa pirralha de 20 anos acha que é para saber da minha dor?' Não sou ninguém, minha senhora. Mas vendo de fora, às vezes é um pouco mais fácil perceber que essa revolta toda, essa ligação com o passado não passa de um medo terrível de perdoar as pessoas e situações e seguir em frente. Porque depois de alguns 30 ou 40 anos vividos, começar tudo de novo pode dar um pavor danado. Em mim, que vivi metade disso, dá.
A gente tem medo de cometer o mesmos erros, tropeçar nas mesmas pedras e viver as mesmas dores no segundo amor, quando o primeiro acaba, ou é acabado - no final das contas, a gente vê que esses detalhes são o que menos importa. Mas tem gente que fica preso a tão pequenas coisas, que deixa a vida passar bem do lado, só assiste, e esquece de viver. De sofrer, magoar alguém, fazer besteira - tem gente que esquece que isso faz parte. E pára.
O coração fica calejado, as marcas do tempo ficam ainda mais perceptíveis nos rostos de quem sofreu na vida. Mas quem não sofreu? Quem nunca passou por uma perda? A maneira como se lida com isso é que faz a diferença. Conheço mulheres de 50 e de 20 anos que perderam grandes amores que foram para o lado de lá da matéria, da terra, da dimensão (depende da sua religião), e uma pegou força disso, enquanto a outra se faz de vítima até hoje.
A escolha é toda nossa, perdoar ou não, admitir que erramos e passar por cima disso ou viver num fracasso que já passou, por mais errado que tenha sido. Fazer as pazes com o passado é aceitar, porque o que mais a gente pode fazer, se não aprender com tantas coisas e procurar reconhecer as pedras, pra não tropeçar nelas novamente? Que tropeçamos em outras, e com todas, finalizamos um castelo - por que não?
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Sem Rancor
Se eu tivesse a chance, faria um feira de reencontro. Veria novamente todas, ou quase todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Considerem-me Madre Teresa de Calcutá se quiserem, mas não consigo lembrar de ninguém que tenha cruzado o meu caminho de uns três anos e meio pra trás e tenha ficado muito marcado na minha mente.
Nunca fui de guardar rancor, costumo esquecer até um pouco rápido esse tipo de coisa. Talvez porque eu resolva minhas questões na época em que as coisas me incomodam, ou sorte, que seja, o fato é que eu acho que rancor dá câncer, e desse mal eu não tô a fim de morrer, ou sofrer. Que meu santo continua não batendo com os de algumas pessoas, isso é lógico. Não sou maria-cocô que gosta de agradar gregos e troianos, mas é só. Ignoro e vou em frente.
Infelizmente nem todos pensam, ou agem assim. O que existe de gente que me desgosta por motivos que nem eu sei mais, nossa, perdi as contas. Claro que não me orgulho disso, aliás, pensei muito antes de manchar minha imagem cor-de-rosa que esse blog deve passar, mas fugir da verdade pra quê? Mas não tenho muito o que fazer. Às vezes, se tenho a oportunidade, tento resolver, simplesmente porque é menos chato quando está tudo bem.
É, mas nada disso me tira o sono. Já tirou, só que hoje não mais. A gente cresce, vai acumulando as cicatrizes e acaba percebendo que tem tanta coisa maior e mais importante pra gente se preocupar realmente, que acaba deixando pra lá. Para mim, essas 'resolvidas' que vou dando com o tempo acabam virando alívios bacanas, sabe? Anos sem falar com alguém por besteira, um dia se resolve e pronto. Não volta amizade, mas tudo bem, resolveu. Não deixa de ser bom.
Esclarecer as coisas pode ser doloroso, dependendo dessas 'coisas', é claro. Quem já viu um grande amor com outra pessoa, enquanto esse amor era grande, ou somente amor, sabe como machuca mesmo depois de outros dias, meses, anos e até outros amores. Mas passa, sempre passa. Mesmo que esses esclarecimentos não precisem de todos os lados, de todas as testemunhas daquela ocasião que te doeu tanto. Às vezes esclarecer a gente mesmo com nosso coração já vale !.
Nunca fui de guardar rancor, costumo esquecer até um pouco rápido esse tipo de coisa. Talvez porque eu resolva minhas questões na época em que as coisas me incomodam, ou sorte, que seja, o fato é que eu acho que rancor dá câncer, e desse mal eu não tô a fim de morrer, ou sofrer. Que meu santo continua não batendo com os de algumas pessoas, isso é lógico. Não sou maria-cocô que gosta de agradar gregos e troianos, mas é só. Ignoro e vou em frente.
Infelizmente nem todos pensam, ou agem assim. O que existe de gente que me desgosta por motivos que nem eu sei mais, nossa, perdi as contas. Claro que não me orgulho disso, aliás, pensei muito antes de manchar minha imagem cor-de-rosa que esse blog deve passar, mas fugir da verdade pra quê? Mas não tenho muito o que fazer. Às vezes, se tenho a oportunidade, tento resolver, simplesmente porque é menos chato quando está tudo bem.
É, mas nada disso me tira o sono. Já tirou, só que hoje não mais. A gente cresce, vai acumulando as cicatrizes e acaba percebendo que tem tanta coisa maior e mais importante pra gente se preocupar realmente, que acaba deixando pra lá. Para mim, essas 'resolvidas' que vou dando com o tempo acabam virando alívios bacanas, sabe? Anos sem falar com alguém por besteira, um dia se resolve e pronto. Não volta amizade, mas tudo bem, resolveu. Não deixa de ser bom.
Esclarecer as coisas pode ser doloroso, dependendo dessas 'coisas', é claro. Quem já viu um grande amor com outra pessoa, enquanto esse amor era grande, ou somente amor, sabe como machuca mesmo depois de outros dias, meses, anos e até outros amores. Mas passa, sempre passa. Mesmo que esses esclarecimentos não precisem de todos os lados, de todas as testemunhas daquela ocasião que te doeu tanto. Às vezes esclarecer a gente mesmo com nosso coração já vale !.
Espelhos
É preciso não esquecer que existe uma vida lá fora. Que um blog, o facebook, o telemóvel ou o email não substituem um sermão bem dado, um olhos nos olhos, um beijo na boca, um estalo na cara, uma conversa em tempo real, um enxugar de lágrimas, o som de uma gargalhada ou uma festa no cabelo. Que uma foto pode imortalizar mas não substituir um sorriso, uma viagem, um bom momento passado com amigos ou a sensação do vento e do sol a queimar a pele. Que, mesmo sem fotos para mostrar, os maus momentos também serão sempre reais e os melhores são muitas vezes os menos planeados. Felizmente.
Por mais que se (não) mostre ou diga, todos somos sempre um pouco - ou muito, conforme os casos - mais do que um mundo virtual e todos temos um coração que, mais além de músculo, é feito de sentimentos, pelo que é importante não julgar, não assumir e sobretudo não presumir.
É preciso não esquecer.
Por mais que se (não) mostre ou diga, todos somos sempre um pouco - ou muito, conforme os casos - mais do que um mundo virtual e todos temos um coração que, mais além de músculo, é feito de sentimentos, pelo que é importante não julgar, não assumir e sobretudo não presumir.
É preciso não esquecer.
Assinar:
Comentários (Atom)

